Data: 13 abril de 2007
Solange Lima, cineasta baiana, é a atual Diretora da ABCV – Associação Baiana de Cinema e Vídeo. Ela nos conta que a ABCV, que existe a mais de 30 anos, surgiu para proteger os cineastas baianos no período da Ditadura. Ressalta ainda que a ABCV não é um sindicato, mas que funciona como articuladora do audiovisual, através de diversas formas.A cineasta lembra que a Associação funcionou, por exemplo, durante 5 anos de um forma bastante efetiva fazendo intercâmbio cultural com Cuba.
A Associação teve um grande período de ausência durante 20 anos e apenas a seis anos atrás conseguiu uma retomada. O grupo atual ligado a ABCV está pensando nas políticas voltadas para a cultura e cinema. O Governo Federal e o Ministério da Cultura fizeram uma convocação para todos envolvidos com o cinema no Brasil para se discutir as formas de descentralização de investimento na área das produções cinematográficas. A ABCV representou o estado baiano.
Solange ressalta que entre os anos de 2005 e 2006 seis filmes longa-metragem foram produzidos na Bahia. No entanto o espaço na mídia para um maior apoio ainda é insuficiente. Segundo Solange, “filmes alternativos não tem tanta visibilidade na mídia brasileira”.Um dos aspectos que são bastante discutidos sobre o cinema no estado é se há mercado para o audiovisual na Bahia. Solange afirma que estudos e pesquisas já foram feitos abordando essa questão e a resposta é positiva. O mercado de cinema pode chegar a movimentar 8 milhões diretamente e cerca de 14 milhões indiretamente, por ano na Bahia. Ela afirma que assim que o cinema for entendido como indústria e que as políticas forem voltadas para tal, há a possibilidade de se estabelecer o cinema na Bahia.
Outro aspecto bastante discutido atualmente é a questão da falta de mão de obra especializada para o mercado do cinema. Atualmente já existem articulações nacionais e estaduais para fomentar a capacitação. A ABCV, por exemplo, já tem planos de cursos nas diversas áreas técnicas, como iluminação, edição, mixagem de som, etc. Solange salienta que a capacitação é uma forma de inserção de diversos profissionais no mercado e o conseqüente fomento a emprego no estado.
Na Bahia o cinema está acontecendo. Existem produções baianas e outras produções (com equipes de outros lugares) que estão fomentando o mercado baiano. No entanto, Solange frisa que é necessário um maior investimento em produções baianas. Ela explica que apesar de haver fomento ao mercado do estado, uma produção de fora que faz um filme na Bahia não tem o propósito de estabelecer o mercado e a economia baiana, assim como as produções locais.
Solange sugere alguns mecanismos para que haja um fomento efetivo de produções baianas como a criação de Editais voltados para cada estado. Para se restringir para a Bahia, por exemplo, o proponente deverá residir na Bahia; a empresa realizadora deverá estar instalada no estado por no mínimo dois anos; e 70% da equipe técnica deverá ser baiana. Ela cita o FAZCULTURA que exige que produtoras de fora tenham que articular co-produções com produtoras do mercado baiano.
Solange afirma que é contra ao estabelecimento de cotas do Governo Federal. É a favor do fomento de mercado com uma concorrência de “igual para igual”, ou seja, que os investimentos federais sejam proporcionais.A cineasta falou ainda sobre o fomento do cinema no interior do estado e o papel da ABCV nesse processo. Ela citou as cidades de Vitória da Conquista, com o Projeto “Janela Indiscreta”, em parceria com a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia; cursos sendo fornecidos na cidade de Cachoeira, visando a capacitação técnica para o mercado cinematográfico; Ilhéus, com incentivo a formação de um público de cinema.
Por Ugo Mello.
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