
Com o objetivo de colocar em discussão as políticas culturais da Bahia e de traçar perspectivas para o futuro do Estado, o II Ciclo de Debates sobre Políticas Culturais proporcionou um momento de diálogo entre a sociedade civil e aqueles que estarão à frente desse projeto nos próximos anos, os representantes da nova liderança governamental. A conjuntura política atual foi um dos pontos mais destacados, uma vez que a Bahia se encontrava há 16 anos sob o comando de um mesmo grupo político, além do fato de que atualmente há o encadeamento da liderança partidária nacional e estadual. A mesa de abertura do evento foi formada por Naomar Monteiro, reitor da UFBA, Giovandro Ferreira, diretor da Faculdade de Comunicação, Albino Rubin, Professor da Faculdade de Comunicação e Paulo Alves. Já os convidados do debate foram Juca Ferreira, secretário executivo do Ministério da Cultura, e Márcio Meireles, recém empossado Secretário da Cultura da Bahia.
Para falar sobre a necessidade de um desenvolvimento cultural amplo, Juca Ferreira, abordou o conceito de cultura no seu sentido antropológico. Assim sendo, o projeto do governo não é o de apenas distribuir
verbas para agentes culturais do mercado, mas, enxergando a cultura como necessidade, tentar atingi-la nas suas mais diversas manifestações. Segundo ele, foi essencial para o governo conceber cultura como necessidade do ser humano, pois assim se buscou tratá-la em sua três dimensões, como fato simbólico, como direito e cidadania e como economia.
Juca Ferreira também apontou algumas estratégias que devem ser implantadas, como o fortalecimento das tv´s públicas numa dimensão cultural e educativa, o apoio a museus públicos e privados e a implementação do ticket cultural como uma espécie de “alimento da subjetividade”. O convidado encerrou sua fala afirmando que pretende não partidarizar o ministério para que se alcance uma iniciativa fundamental para o País, a formação de um Sistema Nacional de Cultura.
O segundo convidado para o debate da noite, Márcio Meireles, ressalta inicialmente sobre a carga simbólica que a Bahia carrega, pois, para ele, vigora no estado uma espécie de “cultura de cultura”, que dificulta em certo grau as transformações. No entanto, ele vislumbra formar uma secretaria da cultura que não se restrinja a atender demandas, mas que seja também demandante. Para isso, ele busca contar com a participação da sociedade civil e, principalmente, de artista e produtores.
O plano da secretaria então é se tornar um órgão realmente do estado, atingindo todos os seus 417 municípios, tornando suas medidas descentralizadas. A fundação Gregório de Matos, por exemplo, deverá assumir as responsabilidades pelas iniciativas tomadas para Salvador, para que assim a secretaria cuide do estado em sua amplitude. Márcio Meireles diz que deseja criar mecanismos de mercado que viabilizem o crescimento da cultura popular, uma vez que esta persiste a favor ou contra a vontade do governo.
Após um longo debate entre os convidados e os participantes se encerrou o primeiro dia do “II Ciclo de Debates sobre Políticas Culturais”, onde vimos temas como: a situação atual das políticas culturais na Bahia; as perspectivas destas neste novo governo; o entendimento de cultura pelo estado; cultura e economia da cultura; políticas de financiamento da cultura e leis de incentivo, dentre outros temas que têm perpassado os pensamentos daqueles que estão envolvidos com a área.
Nenhum comentário:
Postar um comentário