NUSSBAUMER, Gisele Marchiori. Atores Sociais do Mercado da Cultura. In: O Mercado da Cultura em Tempos (Pós) Modernos. Santa Maria: Editora da UFSM,2000.
Diversos atores compõem a cena do Mercado da Cultura, dentre eles Gisele Nussbaumer destaca os artistas, os agentes culturais, os patrocinadores, a mídia, o público. Buscando traçar um perfil desses atores sociais são desenvolvidas ao longo do texto reflexões a respeito de como se formou e se estabelece o cenário cultural brasileiro.
Artistas: nem apocalípticos, nem integrados
Mudanças socioeconômicas ocorridas no Brasil a partir dos anos sessenta impulsionaram o proceso de autonomização da produção intelectual e artística. Se por um lado os artistas "alimentaram um mercado da cultura", do outro desenvolveu-se uma mentalidade crítica e conscientizadora que se impõe à mercantilização da cultura.
Diante desse quadro, os artistas precisam se adaptar a demanda de um mercado onde há uma relação de dependências que determina quem terá acesso e em que condições se dará a produção e divulgação da cultura. Para o artista, o reconhecimento e a utilização de seu poder simbólico devem ser fundamentais às relações com o mercado da cultura.
De acordo com Nussbaumer, através do poder simbólico de suas atitudes e obras, gerações de artistas e intelectuais, transformaram o cenário cultural de nosso país. Como exemplo, ela cita movimentos como a Tropicália e o Cinema Novo (60), o contracultural (70) e os punks e o rock nacional (80). Através de movimentos de "gerações em transe" demonstra-se que é possível resistir e contestar aos moldes da sociedade e promover uma reestruturação da produção cultural do país.
Agentes: intermediários da cultura
É dentro dessa lógica onde o artista tem dificuldades em negociar com o mercado da culçtura que surgem e ganham espaço os agentes culturais. Sgundo Nussbaumer, os agentes culturais têm "a função de atuar como intermediários entre artistas, financiadores, mídia e, consequentemente, público consumidor de bens e produtos culturais" e devido ao investimento em cultura na contemporaneidade ser vista de forma mais explícita como negócio exige-se uma profissionalização desse agente.
São inúmeros os profissionais que vêm colocando seus serviços no mercado para atender tanto aos artistas como às empresas que investem em patrocínio e projetos culturais próprios. A autora destaca a figura dos marchands de arte (uma categoria já institucionalizada no mercado da cultura que além de administrar e manter sua própria clientela, confere valor honorífico a cada autor e os preços de mercado de sua obra); os profissionais de relações públicas que atuam como agentes culturais da iniciativa privada buscando incentivar o patrocínio de projetos culturais visando o retorno da imagem para a empresa (marketing cultural). Essas duas áreas de atuação são alvo de reflexão, os marchands por se preocuparem mais com os lucros do que com a arte em si e, os relações públicas pela necessidade de busca de ações relevantes a favor da cultura o que exige uma ação continuada de investimento no setor, com intenções claras e projetos concretos.
Patrocinadores: cultura traz prestígio
Como um instrumento de comunicação diferenciado e convincente, o marketing cultural é um investimento que não traz lucros diretos e imediatos, oretorno para a iniciativa privada é confirmado e reforçado pela mídia em termos de melhoria de imagem ou até mesmo na promoção direta dos produtos da empresa.
Para Nussbaumer, !seja com apoio, patrocínio ou projetos próprios, o investimento no setor das artes e da cultural já faz parte do planejamento de comunicação da iniciativa privada, tornou-se uma forma simpática de atrair a atenção dos consumidores e público em geral.". Ela destaca ainda que os projetos culturais são considerados a melhor forma de investimento em cultura, várias empresas têm utilizado esse instrumento para criar vínculo entre a marca do produto e um evento dirigido ao público deste produto.
Mídia: meio ou fim
A mídia atua no mercado da cultura como determinante para o consumo ou não de um produto cultural pelo grande público. Seu poder de influência, como afirma Gisele Nussbaumer, "pode ser responsável pelo sucesso ou não de determinado produto cultural ao lhe acenar (ou não) com a possibilidade de seu conhecimento e reconhecimento pelo público". Assim, para os artistas além de obter espaço na mídia é importante também a boa aceitação de sua obra pela crítica especializada.
A necessidade e a impotância de obtenção de espaço na mídia e/ou respaldo da crítica leva-nos, segundo a autora, a discussão da função da crítica tanto sob o ponto de vista de sua competência quanto do seu poder ou autoridade no mercado cultural.
segunda-feira, 26 de março de 2007
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