terça-feira, 22 de maio de 2007

Bate-papo com Fernando Marinho na Facom

Discutir a importância do registro profissional do produtor cultural junto ao Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado da Bahia (Sated-Ba) foi um dos temas abordados por Fernando Marinho durante o bate-papo com os alunos da disciplina Seminários de Atualização em Comunicação 2007.1 na Facom. Além de graduado em direito pela Universidade Federal da Bahia e mestre pela Fundação Getúlio Vargas, Fernando é músico, ator, diretor teatral e artista plástico.

Com muito bom-humor, Fernando Marinho sintetizou a realidade da produção cultural brasileira e baiana a uma pergunta crucial: Existe algum ator, diretor ou músico “global” que participa do projeto? Apesar da pergunta capciosa, as respostas, segundo Marinho, condizem com o momento atual.

Caso a resposta seja positiva, o cronograma será cumprido, a captação de recursos seguirá as metas e o evento terá ampla cobertura. Fernando afirma que no caso oposto o produtor cultural encontrará diversos obstáculos para a realização do seu evento. “Entretanto, aí deve atuar a versatilidade do profissional e começar a pensar como um vendedor”, explica.
Ao falar de teatro, Fernando Marinho ressaltou que um projeto bem escrito não capta recursos. “O importante é pensar como o patrocinador e identificar onde podemos incluir a marca ou produto no espetáculo de modo criativo. Temos inúmeras possibilidades que vão além do banner, dos folders e outras mídias tradicionais. Uma vez montei um cenário inteiro com tubos de PVC e quem era o patrocinador? A Tigre! É claro que personalizamos as peças e tiramos as marcas (da patinha), mas podemos mostrar o patrocinador em quase todo lugar, desde a música e a cenografia até no figurino”, diz.

Outro ponto importante destacado por Fernando, que também é presidente do Sated-Ba, é a falta de interesse dos profissionais do ramo artístico em filiar-se ao sindicato. Ele aponta que as mobilizações são eventuais e quase sempre originadas pela ausência de editais públicos para a democratização da cultura. “Temos assembléias lotadas na Faculdade de Teatro (Ufba) até o momento em que o governo municipal, estadual ou federal lança algum edital complementar. Como a maioria dos profissionais vive de escrever projetos, todos correm e esquecem das outras reivindicações da classe debatidas em assembléia”, comenta.

Mini-Currículo: Fernando Marinho foi vencedor em concursos de piano e de arranjos da Universidade Católica de Salvador. Como ator e diretor teatral, obteve três prêmios de melhor ator, dois prêmios de direção e duas menções honrosas com trilhas para espetáculos teatrais. Fez apresentações em diversos estados brasileiros e em cidades americanas e européias. É fundador da Companhia Baiana de Patifaria, marco na história do teatro baiano, diretor artístico do Troféu Caymmi, curador do Festival de Música Instrumental da Bahia, além de membro da Comissão Gerenciadora do Programa de Incentivo à Cultura do Estado da Bahia – o Faz Cultura.

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