quinta-feira, 17 de maio de 2007

Resenha sobre o texto de Sérgio Sobreira “Públicos e Mercados Culturais para o Teatro Baiano

Sérgio Sobreira inicia o texto comentando sobre as dificuldades enfrentadas pelo teatro baiano nos anos 70 e 80, época em que os espetáculos permaneciam alguns dias ou, no máximo, poucas semanas em cartaz, embora muitos desses espetáculos fossem de grande qualidade. A estréia da peça “A Bofetada” na Sala do Coro do Teatro Castro Alves em 19989, representou uma grande vitória para o teatro baiano sob o ponto de vista cultural e econômico, uma vez que alcançou índices de público e de permanência em cartaz nunca antes experimentados.

Outras produções passam a conhecer o êxito de permanecer em cartaz por longas temporadas, além de obter também o reconhecimento da critica e da mídia. Tais espetáculos, assim como “A Bofetada”, eram pautados pela comédia e pelo humor como “Los Catedrásticos”; “Os Cafajestes” e “Noviças Rebeldes”. Posteriormente, outros gêneros teatrais, como a tragédia e o drama, “alcançaram um sucesso até então inédito para espetáculos mais densos e de assimilação mais complexa, como “O Sonho” (1996/1997) e “Divinas Palavras” (1997/19998)”.

Nesse novo contexto, o campo da cultura cresce e se desenvolve sob diversos aspectos. Novas salas de espetáculos são construídas, antigos teatros são reformados e novos meios de fomento à produção como as leis de incentivo, os editais e os prêmios de montagem são criados. A consciência tanto do governo - a política cultural exarada pelo governo vai estabelecendo progressivamente novos mecanismos de interlocução entre os segmentos que compõem a cena cultural baiana, principalmente por meio das leis de incentivo – como também por parte de outros segmentos como a exemplo das empresas privadas.

Antes não havia uma visão mercadológica do teatro baiano e o entendimento da cultura como negócio era precário por parte dos artistas que, na grande maioria das vezes, dependiam de outra atividade profissional para sobreviver. A incorporação pelos meios de produção de estratégias de comunicação melhor estruturadas foi acrescida a novos diálogos com os seus públicos e mercados, ou seja, novos investimentos na divulgação foram feitos (antes se investia apenas nos impressos gráficos, a exemplo de cartazes e panfletos).O direcionamento para as mídias de largo alcance, como spots de rádio, veiculação de chamadas de TV e exibição de outdoors são alguns exemplos. Dessa forma, segundo Sérgio Sobreira, numa trajetória de pouco mais de dez anos houve uma mudança substantiva no perfil da produção teatral baiana.

“Os fatores contributivos à obtenção do êxito têm sido os mais diversos: a escolha oportuna dos textos, a alta qualidade interpretativa dos atores baianos, a pluralidade estética de nossos encenadores aliado ao talento dos diretores proporem dramaturgias renovadas” afirma Sérgio Sobreira. Acrescentando a todos esses fatores o novo relacionamento do teatro baiano com a mídia é possível compreender a nova relação instituída entre o palco e a platéia.

Novas formas de atuação profissional também têm surgido ampliando as condições de sobrevivência da categoria. O teatro pode ser usado como instrumento de ação pedagógica no trabalho e na escola, assim como na realização de oficinas. O surgimento do pólo de teledramaturgia também se constitui como um importante meio de afirmação profissional dos talentos advindos do teatro.

Num segundo momento do texto, Sérgio Sobreira afirma que as universidades baianas precisam desenvolver pesquisas de estudo e análise do contexto onde a cultura se insere. Como professor substituto da Faculdade de Comunicação da UFBA, teve a oportunidade de ministrar a disciplina “Oficina de Análise de Públicos e Mercados Culturais” em que foi possível realizar com os alunos três pesquisas sobre o perfil de consumo cultural de alguns segmentos sociais.

A partir da análise dos resultados obtidos com a pesquisa foi possível constatar, entre outras coisas, que a preferência do universitário baiano, seja ele de faculdade gratuita ou paga, pelas atividades de entretenimento e lazer é acima de tudo para música e cinema. O teatro surge numa terceira posição indicando que há interesse por parte dos jovens, mas ainda não é a opção preferencial de entretenimento do público que, por diferentes fatores, ainda se acha distanciado do acesso às salas de espetáculo.

Se por um lado, é possível haver um grande número de espetáculos teatrais em cartaz na cidade, por outro, ainda estamos aquém do potencial de crescimento deste mercado. As pesquisas comprovam que o teatro não é a opção de entretenimento do público, principalmente dos jovens, mas ainda assim muitos desses podem ser motivados e atraídos para as platéias soteropolitanas. Segundo Sérgio Sobreira é preciso saber comunicar aos jovens que ir ao teatro é uma opção cultural de lazer satisfatória, prazerosa e a um custo acessível. “Na medida em que for capaz de conciliar arte e mercado, cultura e negócios o teatro baiano crescerá cada vez mais”.


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