Na sexta-feira, dia 20/04, a FACOM contou com a presença de Dênisson Padilha, escritor e ex-secretário de cultura de Rio de Contas, que falou um pouco da sua trajetória, de seus livros e das dificuldades do escritor independente diante do mercado editorial, durante a aula da disciplina Seminários de Atualização em Comunicação.
Ao se apresentar, Padilha traçou os seus primeiros passos como escritor. O primeiro livro, intitulado Gavihomem, foi lançado entre 1996 e 97, resultado de sua vitória no concurso Art Contemp, na categoria poesia. Em 99, foi lançado Aboios Celestes, livro que já contava com um trabalho de editoração melhor. Em nenhum dos dois livros houve facilidade no percurso que vai da construção dos textos e das imagens ao trabalho final de editoração e de distribuição.
A experiência que adquiriu ao longo desses dois trabalhos, fez com que o autor entendesse o livro como resultado de um processo mais amplo de editoração, não como algo apenas concluso em seus próprios textos e imagens. Segundo Padilha, ao escritor não cabe somente escrever; ele deve pensar, além disso, na edição e na distribuição do seu trabalho. Por outro lado, deve ter consciência de que estes trabalhos complementares precisam ser feitos por outros, especialistas em suas áreas. Em outras palavras, o autor não pode ser ingênuo ao ponto de pensar que sua obra estará concluída no momento em que finaliza os textos, mas, também, não pode pensar que todo o trabalho pode ser feito por ele; deve, sim, pensar de forma ampla, como um empresário, que supõe todas as etapas do processo de criação de um produto e equipes para trabalhar nesse processo – no caso da literatura, essa equipe se constitui na editora e na distribuidora, entre outros.
Para um escritor independente – que não possui patrocínio durante a composição de sua obra –, o caminho a percorrer até a distribuição do livro não é fácil. Em Carmina e os Vaqueiros do Pequi, terceiro livro de Padilha, não foi diferente. Mais uma vez, o autor teve de buscar, por conta própria, patrocínio, edição e distribuição da sua obra.
O patrocínio, conseguiu através da prefeitura de Rio de Contas, ao apresentar o enredo do livro, ambientado no semi-árido, com características semelhantes as da região de Rio de Contas. Já a edição, foi feita pela editora Santa Luzia. Os manuscritos do livro foram lidos pelo dono da editora, que gostou do texto e se propôs a editar a obra, sem cobrar pela revisão. A distribuição, como sempre acontece com o escritor independente, foi feita de livraria em livraria, de porta em porta, solicitando que algumas cópias do livro fossem colocadas à venda pelos livreiros.
Segundo Padilha, o Estado deveria assumir esse papel de distribuidor; facilitar o acesso à obra em diferentes localidades, beneficiando, assim, escritores e leitores, artistas e públicos interessados. Ao Estado caberia menos o papel de editar e patrocinar as obras do que o de fomentar a expansão e o acesso a elas. Como já foi dito, o autor defende que o artista deve pensar como empresário, utilizando-se das leis de incentivo à cultura, através das quais ele pode captar os recursos necessários para a composição e edição de seus livros. A partir daí, o Estado desempenharia a função de distribuir, expandindo o acesso à obra para além de um número reduzido de pontos de venda ou pequenas livrarias.
Num determinado ponto da aula, uma questão foi levantada: existe artista sem público? Essa questão surgiu quando Padilha afirmou que acreditava não escrever para essa geração, que vive na era da informação e não da formação. O escritor leu um trecho de seu último livro, Carmina e os Vaqueiros do Pequi, e perguntou se a turma não concordava com ele.
Diante da pergunta, afirmou que, durante o seu trabalho de criação, não pensa na reação do receptor, ou seja, não escreve supondo um determinado tipo de público e uma forma de agradá-lo. Segundo o autor, todo escritor (independente, principalmente) precisa de um estímulo interno, precisa ser motivado pela sua própria criação, pois ele não tem o contato direto com o público durante esse processo, diferente de um artista musical, que tem uma prévia da reação do público através dos shows anteriores ao lançamento de um novo disco, por exemplo. A literatura é uma arte silenciosa, reservada e, por isso, não pode depender diretamente da reação do público.
Ao se apresentar, Padilha traçou os seus primeiros passos como escritor. O primeiro livro, intitulado Gavihomem, foi lançado entre 1996 e 97, resultado de sua vitória no concurso Art Contemp, na categoria poesia. Em 99, foi lançado Aboios Celestes, livro que já contava com um trabalho de editoração melhor. Em nenhum dos dois livros houve facilidade no percurso que vai da construção dos textos e das imagens ao trabalho final de editoração e de distribuição.
A experiência que adquiriu ao longo desses dois trabalhos, fez com que o autor entendesse o livro como resultado de um processo mais amplo de editoração, não como algo apenas concluso em seus próprios textos e imagens. Segundo Padilha, ao escritor não cabe somente escrever; ele deve pensar, além disso, na edição e na distribuição do seu trabalho. Por outro lado, deve ter consciência de que estes trabalhos complementares precisam ser feitos por outros, especialistas em suas áreas. Em outras palavras, o autor não pode ser ingênuo ao ponto de pensar que sua obra estará concluída no momento em que finaliza os textos, mas, também, não pode pensar que todo o trabalho pode ser feito por ele; deve, sim, pensar de forma ampla, como um empresário, que supõe todas as etapas do processo de criação de um produto e equipes para trabalhar nesse processo – no caso da literatura, essa equipe se constitui na editora e na distribuidora, entre outros.
Para um escritor independente – que não possui patrocínio durante a composição de sua obra –, o caminho a percorrer até a distribuição do livro não é fácil. Em Carmina e os Vaqueiros do Pequi, terceiro livro de Padilha, não foi diferente. Mais uma vez, o autor teve de buscar, por conta própria, patrocínio, edição e distribuição da sua obra.
O patrocínio, conseguiu através da prefeitura de Rio de Contas, ao apresentar o enredo do livro, ambientado no semi-árido, com características semelhantes as da região de Rio de Contas. Já a edição, foi feita pela editora Santa Luzia. Os manuscritos do livro foram lidos pelo dono da editora, que gostou do texto e se propôs a editar a obra, sem cobrar pela revisão. A distribuição, como sempre acontece com o escritor independente, foi feita de livraria em livraria, de porta em porta, solicitando que algumas cópias do livro fossem colocadas à venda pelos livreiros.
Segundo Padilha, o Estado deveria assumir esse papel de distribuidor; facilitar o acesso à obra em diferentes localidades, beneficiando, assim, escritores e leitores, artistas e públicos interessados. Ao Estado caberia menos o papel de editar e patrocinar as obras do que o de fomentar a expansão e o acesso a elas. Como já foi dito, o autor defende que o artista deve pensar como empresário, utilizando-se das leis de incentivo à cultura, através das quais ele pode captar os recursos necessários para a composição e edição de seus livros. A partir daí, o Estado desempenharia a função de distribuir, expandindo o acesso à obra para além de um número reduzido de pontos de venda ou pequenas livrarias.
Num determinado ponto da aula, uma questão foi levantada: existe artista sem público? Essa questão surgiu quando Padilha afirmou que acreditava não escrever para essa geração, que vive na era da informação e não da formação. O escritor leu um trecho de seu último livro, Carmina e os Vaqueiros do Pequi, e perguntou se a turma não concordava com ele.
Diante da pergunta, afirmou que, durante o seu trabalho de criação, não pensa na reação do receptor, ou seja, não escreve supondo um determinado tipo de público e uma forma de agradá-lo. Segundo o autor, todo escritor (independente, principalmente) precisa de um estímulo interno, precisa ser motivado pela sua própria criação, pois ele não tem o contato direto com o público durante esse processo, diferente de um artista musical, que tem uma prévia da reação do público através dos shows anteriores ao lançamento de um novo disco, por exemplo. A literatura é uma arte silenciosa, reservada e, por isso, não pode depender diretamente da reação do público.
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